quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Os Futuristas

No início dos anos sessenta do século XX, no período pós Segunda Guerra Mundial, muitos países, principalmente os da Europa, na necessidade de reconstrução de suas cidades, passaram por um intenso desenvolvimento, era um período de prosperidade e crescimento no setor econômico e tecnológico dos países capitalistas.
Dentro do setor tecnológico está área espacial, explicitada com a chegada do homem à lua. Na construção civil, houve o desenvolvimento possibilitado pelos cálculos, instrumentos para simulações para experimentos de estruturas, disposição de novos materiais como metais e plástico.
Diante este contexto, grupos de arquitetos se formaram para propor uma nova arquitetura, utilizando de todos estes recursos tecnológicos que surgiram na época, com o processo de revisão formal do movimento moderno, utilizando toda esta tecnologia na arquitetura. Entre eles estão principalmente o grupo Archigram, formado por Peter Cook, Ron Herron, Warren Chalk, Dennis Crompton, David Greene e Mike Webb, na Inglaterra e no Japão, o grupo dos metabolistas com Kiyonori Kikutake, Kisho Kurokawa, Masato Otaka, Fumihico Maki, Noburu Kawazoe, Kenzo Tange, Arata Isozaki.
O grupo Archigram, publicaram uma série de revistas, entre 1961 e 1970 com mesmo nome do grupo, sendo uma união de arquitetura e telegrama, para que sugerisse algo parecido com mensagem, na revista eles mostravam suas propostas, representada com imagens, fotos, fotomontagens, desenhos técnicos e comentários de seus projetos radicais e em muitos casos irrealizável, com ambientes totalmente tecnificados. Pois além de exporem suas idéias arquitetônicas, propunham também uma nova maneira de representação.

“ Aunque las propuestas de Archigram son composiones metafóricas que pertenecem a un mundo em gran medida ilusório ( ... ) Partiendo de uma posición neofuncionalista, los proyetos del grupo Archigram exploran El desarollo hedonista de unas fantasias que son propias de los sueños tecnológicos “ (MONTANER, 1995 )

As idéias do grupo causaram grande repercussão e críticas no mundo. Seus projetos eram fictícios e de tecnologia espacial, como por exemplo, cidades intergaláticas e plataformas orbitais. Tinham como princípios, primeiramente acreditavam que existia uma racionalidade intrínseca no mundo da tecnologia e da ciência, continuando com a idéia de progresso ilimitado, outro principio era de que os novos materiais e técnicas construtivas iriam permitir superar as condicionantes da arquitetura tradicional.
Em 1967, um dos arquitetos do Archigram, publicou o artigo escrito por ele “ La arquitetura como producto del consumidor”, Warren Chalk, defende que a arquitetura deve ser um produto de consumo, intercambiável e descartável como outro qualquer,

“Los ideas de Archigram partían de uma serie de premisas básicas: La arquitectura debe pasar a ser um produto más, producido industrialmente y consumido por los usuarios superando cualquer resistência artesanal o artística. Ello conlleva que La arquitectura deba ser um producto desechable e intercambiavle como qualquer outro” ( La crisis de La modernidad )

Eles propunham também arquitetura como kit, que pudesse ser transportável e substituível. Portanto resumidamente defendiam os princípios de mobilidade, mutabilitade, flexibilidade etc.

“ Nesta estrutura se dispõe em elementos importantes da cidade: ruas, comércio, moradias, teatros, escola, etc... Membranas infláveis cobrem determinadas zonas e as protege do clima. A própria cidade está pensada como para sofrer continua mudança: os guindastes ocupam-se da construção e da substituição de células de moradias já utilizadas.”

Um dos projetos mais famosos foi denominado Plug-in City, feito em 1964, era a proposta de uma cidade formada por uma grande estrutura ligada em forma de rede, feita com materiais pré-fabricados. Havia um sistema de conexões com tubulações e articulações metálicas. Em lugares estratégicos haviam unidades arquitetônicas para serviços para suprir as necessidades dos habitantes. As residências eram torres formadas por cápsulas unitárias conectáveis de materiais pré-fabricados, e eram articuladas, esta moradia foi criada com o princípio de máquina para morar, planejadas segundo a ergonometria, inspiradas nas cápsulas feitas pela NASA, reafirmando assim a idéia de flexibilidade e de multabilidade.

Outro projeto desenvolvido no mesmo momento da Plug-in City foi a Capsule Tower de Warren Chalk, eram um pouco maiores em área do que as de Cook e serviam para uma ou duas pessoas, elas eram posicionadas ao redor de uma torre de circulação e serviços feita em concreto, formando uma volumetria a partir da união delas.








No Japão, os arquitetos como Kenzo Tange, Kunio Mayekawa e Junzo Sakakura , antes da segunda guerra mundial, tinham o intuito de integrar o movimento moderno japonês elementos da arquitetura tradicional, eram influenciados por Le Corbusier, e na busca de um novo tipo de cidade, Tange passa a ser influência para um novo grupo, que foi o momento mais importante da arquitetura moderna japonesa, surgiu em 1960, os Metabolistas, com idéias semelhantes a do Archigram e tinha como principais membros Kiyonori Kikutake, kisho Kurokawa, Masato Otaka, Fumihiko Maki e Noboru Kawazoe.
Com o acelerado crescimento do Japão, e a falta de planejamento urbano, as cidades cresciam rapidamente gerando um caos urbano, portanto suas propostas iam desde desenhos industriais até o planejamento urbano, pensaram novos organismos na escala urbana como cidades oceânicas, aéreas, unidades agrícolas, residências móveis, buscando mostrar uma visão de uma sociedade desenvolvimento outra idéia deles era a flexibilidade.

“ Para alcançar a flexibilidade de uso tem-se que distinguir entre estruturas primarias duradouras fixas, e estruturas de elementos transformáveis e de curta duração. Nos projetos, estas aparecem unidas às duradouras, suportadas por núcleos fixos distanciados entre si, que, ao mesmo tempo, servem de passeios verticais de comunicação e entre os quais acham-se as moradias livremente organizadas(...)”

Um exemplo que podemos comparar com os projetos feitos pelo grupo Archigran é a torre Nagakin, em Tóquio, feito por Kisho Kurokawa em 1971, com o mesmo conceito da Capsule Tower de conexão de cápsulas pré fabricadas a um núcleo de circulação e serviços. Kurokawa desenvolveu o sistema de conectá-las a mega-estrutura por apenas quatro parafusos de alta tensão, ela é projetada para o indivíduo utilizar como apartamento, podendo ser ligadas a outras unidades ou escritório. Já eram mobiliadas, possuía sistema de telefone. Elas eram erguidas por guindates e presa ao núcleo de concreto.

“ ( ... ) Torre-Cápsula, Tóquio (1972), de Kisho Kurokawa. Ali, duas hastes de concreto integrando elevadores, escadas de emergência e serviços sustentavam 140 casulos individuais, estúdios equipados com as mais recentes novidades tecnológicas e eletrônicas da época (...) A idéia do edifício era sugerir a possibilidade de mudança contínua ou de incompletude permanente.” ( n sei imagem)



Otilia, em seu livro .... faz duas críticas, uma positivamente, fala sobre esses grupos futuristas, que colocaram limites na construção tradicional de moradias e outra a respeito da relação do homem x novas formas de moradia.

“ Apesar de que, em alguns aspectos, este conceito possa parecer utópico, contém um núcleo que merece ser levado em consideração. Põem-se limites à tradicional construção de casas por meio da mão de obra; por ele torna-se possível que em época mais adiante, se passe a tradução industrial de células de material sintético. Como células deste tipo, por motivos estáticos, não podem empilhar se em grande quantidade, há a idéia de realizar estruturas primárias que contém haver as ditas células. Estas estruturas primárias não podem assumir só funções construtivas, mas também as de abastecimento e comunicações.” ( Otilia )

“ A utopia Archigram está determinado tecnologicamente busca resolver o brusco incremento da população mediante superestrutura gigantes e acentua o aspecto técnico. O conceito de casa e moradia, no sentido tradicional suprime-se por inteiro. Sem duvida não se coloca a questão de como haverá de ser o homem que irá habitar nestas superestruturas, de si, o ser humano, atendendo a sua disposição, está preparado para identificar-se com estas formas de moradia. O homem renunciará aos constumes e desejos que se mantiveram através dos séculos relativamente constantes, para viver neste mundo, ou poderá dar-lhes satisfação dentro dela? Esta questão, que PE a principal, se entende-se a arquitetura como algo a serviço dos homens,, não foi sequer colocada (...) “ (Otilia)

Benévolo critica a arquitetura que eles fazem tentando dominar o universo tecnológico que porém não foi bem sucedido.

Benévolo “ eles vêm tornar evidente não só a incapacidade da arquitetura para coordenar o universo tecnológico que se expande com demasiada rapidez, fracionando-se em setores especializados, mas também a inadequação dos tipos de construção e dos modelos urbanos herdados das fases anteriores ao moderno movimento arquitetônico (...)”

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